Somos todos ciborgues: aspectos sociopolíticos do desenvolvimento tecnocientífico

 Autores: Holgonsi Soares Gonçalves Siqueira & Márcio Felipe Salles Medeiros

 

O Pensador Ciborgue: A fusão da sabedoria clássica com a rede digital

 

 

Resumo

A emergência de novas tecnologias tem permitido a proliferação de novas subjetividades, promovendo re-significações sobre a percepção do universo social e re-ordenamentos em todas as esferas da vida pós-moderna. Partindo das perspectivas de Bruno Latour, Donna Haraway e Chris Gray, discutimos o hibridismo resultante da interação homem-máquina e o exercício de uma nova cidadania no contexto do capitalismo tecnocientífico.


1. Questões introdutórias

O capitalismo tecnocientífico configurou uma rede complexa que vai além das transformações técnicas, influenciando a totalidade do sistema sociocultural contemporâneo. Reestruturou mercados, o mundo do trabalho, a educação e as relações humanas. Vivemos em um "meio técnico-científico-informacional", onde o cotidiano é marcado por conexões digitais que redefinem as cidades e as práticas sociais.

As tecnociências (informação, robótica, nanotecnologias e biotecnologias) fogem da rigidez e das oposições da modernidade. Elas nos colocam frente a incertezas e riscos, mas também exigem a compreensão de complexidades resultantes de fusões e bricolagens, às quais damos o nome de hibridismo.

2. Ciborgues: sobre o rompimento das fronteiras

A constituição de nossa subjetividade está intimamente vinculada às tecnologias que nos rodeiam. No final do século XX, esse fenômeno tornou-se intenso. Praticamente todas as nossas atividades diárias são perpassadas por componentes eletrônicos. Como enuncia Hayles, o humano que interage com a máquina, ao final da interação, já não é o mesmo.

A figura do ciborgue evoca uma ruptura epistemológica e política. Não se trata apenas de ficção, mas de um projeto político/científico que coloca humanos e não-humanos como agentes ativos no processo de construção do mundo.

3. Possibilidades para uma "nova cidadania"

Se somos todos ciborgues — híbridos de máquina e organismo — a tecnociência está constantemente desconstruindo a ideia do impossível. Ela interfere na materialidade de nossos atos de ver, falar, ouvir e sentir.

Neste contexto, os corpos são reescritos e re-significados. A sobrevivência é o que está em questão nesse "jogo de leituras". A cidadania, portanto, precisa ser repensada: não podemos aceitar a tecnologia como algo neutro ou "dado". O design da tecnologia reflete preferências culturais e recursos políticos.

4. Considerações finais

O desafio da pós-modernidade é constituir um modelo de "sistema aberto", que não faça apenas a celebração simplista da tecnociência, nem se feche no pessimismo paralisante. A consciência de nossa condição ciborgue é o primeiro passo para uma nova forma de atuação política e social.

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https://journals.openedition.org/configuracoes/882